VENEZA


        Sai de Mantova sábado de manhã cedo. Quer dizer, deveria ter saído. Acordei as 7h15 e meu trem era as 7h30. Putz, perdi o trem. Aí já pensei: que merda né, gastar mais não sei quanto pra comprar outra passagem e blá blá ... entrei no site do Trenitalia (a empresa ferroviária estatal) e conferi que havia outro trem ás 8h20. Beleza. Na estação de trem pedi, sem esperanças, se era possível viajar com o bilhete que eu tinha, e a atendente me informou que sim, aquele bilhete poderia ser trocado até 1h depois da partida do trem. Deixei de gastar 30 euros ... Suuuuper feliz!
     Chegando em Veneza tudo era encanto. Quando a gente sai da estação de trem e dá de cara com os canais é algo, sei lá, super! O dia estava lindo e sol refletia nas águas ... sei que a água dos canais de Veneza é suja, mas não sei porque tem uma coloração azulada, um verde azulado muito denso e bonito.
     Mapa na mão, fui checar onde era o hotel, porque minha mochila estava destruindo as minhas costas. O problema é que ter um mapa em Veneza é algo inútil, pois é impossível entendê-lo. Não existem ruas na cidade, o que existem são vielas onde passam - nas super largas - 5 pessoas ao mesmo tempo. Não me perguntem como, mas achei o hotel (caminhei mais de 1h para chegar no bendito, isso que era bem pertinho).
     Tinha combinado de encontrar minhas colegas de intercâmbio em Veneza, e aí voltei para a estação para busca-las. No meio do caminho peguei um folder que me deu uma informação maravilhosa: a programação do carnaval de Veneza 2011. Detalhe 1: a abertura oficial era naquela noite. Fantástico. Detalhe 2: a pessoa aqui não sabia que era época do Carnaval.
     As gurias chegaram, fomos para o hotel descarregar as malas e saímos pelos becos e vielas venezianos, desta vez, sem rumo e sem mapa. Só estávamos em busca das nossas máscaras para participar da festa à noite. E isso que é o bom de Veneza: sair sem rumo!




     18h, noite, e lá estávamos nós na Piazza San Marco. Tinha uma concentração muito grande de pessoas na praça, e a grande maioria com fantasias ou máscaras. Genial. Pontualmente o início da festa foi anunciado, com uma grande encenação da época oitocentista. Imediatamente uma fonte no meio da praça começou a jorrar vinho. Sim, a fonte começou a jorrar vinho! E começaram a tocar lindas músicas eruditas nas caixas de som espalhadas pela cidade. Lindo! Lindo! As pessoas se aglomeravam no em torno da fonte para pegar os copos com vinho que eram servidos por moças trajando vestidos de época. Outras pessoas dançavam (a música erudita!) e exibiam suas máscaras. Bem parecido com o carnaval brasileiro né? Uma confraternização muito mágica.





     No dia seguinte, acompanhamos mais um evento do calendário festivo da cidade, Um desfile de Carnaval. Mas esse foi feito de uma forma um tanto diferente. Os "blocos" de carnaval desfilaram com suas gôndolas e barcos através do Grande Canal. Muito legal.





     Saímos para bater perna na cidade e fazer comprinhas até as 18h, quando encontramos com o grupo da escola de intercâmbio que havia chegado pela manhã em Veneza. Partimos com eles de volta à Biboca do Raimundo ...

NOTES AND TIPS:

- IMPRESSÕES DE VENEZA: Veneza é linda para se visitar de dia. E não precisa mais que um dia. Não queira ficar em Veneza à noite. Simplesmente não existe "noite" em Veneza, mesmo no carnaval, quando está repleta de turistas. Ás 19h tudo começa a fechar. As 21h já não é possível entrar em nenhum restaurante, pois estão começando a fechar. 22h30 e não existe mais absolutamente nada aberto. As vielas são extremamente mal iluminadas e começa a dar uma melancolia que contrasta muito com as sensações que se tem durante o dia.
- O CARNAVAL: Carnaval em Veneza não deveria se chamar "carnaval". Ou então o carnaval brasileiro é que devia trocar de nome. São coisas completamente diferentes. A música, os trajes, o propósito, a duração ... o legal é que muitas pessoas andavam nas ruas com máscaras ou fantasias, a qualquer hora do dia.
- QUANTO CU$TA: Veneza é caríssima. A cidade sobrevive do turismo. Mas o problema é que os turistas passam o dia lá e depois vão embora para se hospedar e jantar em uma cidade no continente, chamada Mestre, ou em outros lugares próximos. Aí os preços ficam lá em cima, porque o consumo de gêneros alimentícios na cidade é baixo e os comerciantes precisam se manter né ...
- O HOTEL: Nesta estada escolhi o Hotel San Giorgio. Muito legal super charmoso. Os quartos tem uma decoração típica renascentista e te remetem à outras épocas. Serviço excelente.